Variedades

Anões na vida e na arte egípcias

O nanismo - achondroplasia - é uma malformação congênita. No Egito Antigo era uma das anomalias congênitas mais encontradiças. Segundo historiadores e analistas de obras de arte egípcias, os anões parece terem sido muito participativos e trabalhadores e jamais foram olhados como seres marginalizados ou desprezados. Existe uma determinação emanada do faraó Amenemope (ao redor do final do segundo milênio Antes de Cristo) que diz: "Não ironize o cego, nem ria do anão, nem bloqueie o caminho do aleijado; não aborreça um homem que ficou doente por causa de um deus, nem faça escândalo quando ele erra". Afrescos existentes nas paredes dos túmulos de faraós e altas autoridades sugerem-nos que havia um elevado número de anões no Egito. Em geral eles são representados com fidelidade: corpos musculosos e cabeça de tamanho normal, um pouco obesos, membros curtos, pernas por vezes arqueadas e muitas vezes corcundas.

Anão Seneb e esposa
No Egito Antigo, os anões de classes mais elevadas podiam aspirar qualquer cargo público que fosse. Um exemplo disso foi Seneb, supervisor dos anões no palácio do faraó. Além desse cargo, ele era chefe do guarda-roupas real e sacerdote dos ritos funerários. Reproduzimos uma estátua que apresenta Seneb, de braços curtos, com suas pernas cruzadas, tendo ao lado sua esposa numa posição de notável apoio, um filho e uma filha, todos de constituição normal.

A esposa de Seneb fazia parte da corte do faraó e era sacerdotisa. Na opinião de egiptólogos, os anões da raça Dang eram os mais procurados por serem, de um modo geral, excelentes dançarinos. Há textos hieroglíficos que a eles fazem menção, como este, citado por N. Riad, em sua obra La Médecine aux Temps des Pharaons: ..."ele dançará como um anão diante de Osíris".


Anões no trabalho

Em algumas obras de arte anões aparecem aos pés de seus mestres ou cuidando de animais domésticos. São também representados levando um cão para passear, caçando avestruz, codornas ou outros pássaros, segurando um macaco preso e mesmo fazendo trabalhos de escultura, ourivesaria e joalheria. Um dos deuses do panteão egípcio é representado como um anão disforme de pernas arqueadas e de aparência feroz: Bés.

Segundo artigo assinado por Richard Warner, na Internet (Acesse a página em http://www.touregypt.net/featurestories/dwarfs.htm), "Os egípcios antigos chamavam de deneg tanto os anões quanto os pigmeus. Na verdade, a literatura antiga e outras referências mal distinguem entre anões e pigmeus.
Todavia, provavelmente porque eram nascidos no estrangeiro, pigmeus não desfrutavam do mesmo tratamento que os anões. Normalmente eram importados da África Tropical e na maioria das vezes serviam na capacidade de dançarinos e acrobatas. Enquanto anões podiam ser parte da corte, os pigmeus eram entretenimento para a corte, mas eram valorizados nesse sentido.
Uma carta de Pepy II, da 6ª. Dinastia, encarece Harkhuf, que estava de volta de uma expedição para o sul do Sudão, a tomar muito cuidado com um pigmeu dançarino que ele havia comprado. A carta diz que "Minha majestade deseja ver esse pigmeu mais do que os presentes da Terra das Minas (Sinai) e de Punt".

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